O Reponte coincidiu com meus aniversários nos últimos 26 anos. Sempre me presenteou: com a viagem dos meus pais para festejar só com os amigos,com um acampamento divertido nos dias de festival,ou, como ontem,com a devolução das sensações de Liberdade, que há muito não sentia.
Dia 12, sexta-feira comemorei meus 37 anos, com minha família e os amigos mais próximos. Foi um dia de felicidade em pílulas, não teve festa,por assim dizer, mas durante todo o dia estava chegando uma visita carinhosa, um abraço fraterno,celebrando com alegria mais este ano de vida.Minha amiga Carla,aniversaria dia 13 e embora tenha trabalhado toda a madrugada do dia 12 para 13 recebeu os amigos para celebrar seu aniversário na tarde deste sábado, com o carinho e a simplicidade que lhe é comum no convívio.Antes que eu voltasse para casa ela me chamou num cantinho e perguntou com um olhar de quem espera uma afirmativa: "Vais ir ao Reponte?".Logo lhe respondi que gostaria muito,mas dependeria das condições concretas de estar lá,o que dava a dimensão exata e verdadeira do que estava pensando( se o corpo responder bem, se tiver transporte possível, se tiver companhia bem disposta).Ela não demorou dois minutos para circular e retornar com três convites do Reponte ( o olhar dizia algo como "quero te ver lá,divirta-se um pouco").Foi o tempo de chegar em casa, organizar o transporte e preparar quem quisesse ir comigo para começar a bela aventura que foi estar no Reponte na noite de sábado.
Já na chegada o quadro conhecido de quem sofre de qualquer limitração física: uma fila enorme e um quase "vou embora" pedindo p desistir,mas o olhar solidário das pessoas que ali estavam foi imediato:" a senhora não precisa ficar na fila, imagine.fale ali c a mocinha da porta,pode ser que haja um atendimento especial". Falei com a moça que controlava a entrada, sem nenhum muchocho e muito prestativa me disse que eu poderia entrar à parte da fila com meu filho, que me acompanhava.Foi um feliz traço de civilidade que tenho encontrado pouco no mundo desde que passei a ter uma condição física limitada pela hemiplegia do lado esquerdo.Feliz da vida, senti que tinha o direito de estar ali, sentei um pouco, jantei com meu filho e ao ouvir os primeiros movimentos no palco, me dirigi ao espaço onde aconteceria o show de abertura com Sérgio Rojas. As pessoas organizavam suas cadeiras de praia na lateral do galpão, onde encontrei minha vizinha Adriana e suas filhas Luana e Natália que logo providenciaram uma cadeira extra para mim e "circuladas" esporádicas para meu filho adolescente pouco ambientado àquele tipo de programação.Assim que começou o show,conectei absolutamente minha atenção à música do violão de Sérgio e ao ambiente dos violinos que lhe acompanhavam. Era encantador o envolvimento daquele homem com sua música e a qualidade do repertório escolhido, com muito respeito ao público.Diria que percebi um ato de amor naquela seleção de músicas.Com meus acompanhantes cuidando de percorrer todos os espaços do Festival pude me deleitar ( é esta a palavra,sim)com as sensações da música apresentada.Dedicação total,todos os sentidos voltados para o espetáculo e uma atividade de memória que só um ambiente de imersão daqueles pode proporcionar:
- Em espaços como o Reponte sempre fui daquelas pessoas que arriscam uma dança quando a música convoca,mesmo que todos estejam paradinhos em seus lugares,neste ponto, desfrutei como criança de todas as oportunidades que tive de expressar o fruir da música na dança.Sempre foi um exercício livre de mim mesma o dançar o que escutava. Uma relação com a arte mais sagrada e mais pura que é a música.
- Depois de ter meus movimentos limitados percebi que certas situações, certas melodias me causavam sensações físicas da memória deste exercício,embora não pudesse repetir os movimentos da dança sabia exatamente como eles se processariam e poderia simulá-los mentalmente, com muito prazer, embora não sem dor.Era a esfera de liberdade possível e no show do Sérgio Rojas do Reponte pude dançar nas sensações da minha memória como se dançasse fisicamente. Ouvir Mariposa Technicolor e mentalizar os movimentos agora impossíveis mas conhecidos foi uma sensação inequívoca. Existiu, experimentei,frui como se não houvesse impedimentos. E o melhor de tudo é que meu vestido era de todas as cores e não havia pesos ou tristezas, só magia da música e muito amor no ar daquele espaço de respeito e alegria. Me perdoem os que entendem o sofrimento como razão de vida, mas é assim que deve ser: pela simples alegria de ser!Diferente ou igual,um que vive e tem direito à vida com o que tem de melhor...Para o povo,sim,mas por que não com violinos?Sentadinha numa cadeirinha de praia,mas cercada de amigos e não desesperada com a segurança da bolsa.Limitada fisicamente,mas bailarina, por que não? Não me venham dizer que isto é pouco! Não há condenação,pode haver a sentença de conviver com limitações,mas há plenitude, há felicidade e buscá-la é tudo. Permanência só em Deus, mas o único Deus possível à condição humana é aquele que consigo realizar em mim nos momentos que a ele me dedico.A arte é Deus em mim, o pensamento, o imortal é o que comunico de Deus em mim. Este registro é Deus em mim, porque é imortal na minha multiplicação desta experiência na vida de outros. A vida é mais que exercícios do pequeno poder. A vida é Liberdade,é o amor realizado, estarmos juntos e fruir da música.O resto é morte,tristeza e solidão! Eu escolho a vida!
domingo, 14 de março de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Epicuro terapêutico!
Quando se é jovem, não se pode evitar de filosofar e, quando se é velho, não se deve cansar de filosofar. Nunca é muito cedo ou muito tarde para cuidar de sua alma. Aquele que diz que não é ainda, ou que não é mais tempo de filosofar, parece àquele que diz que não é ainda, ou não é mais tempo de atingir a felicidade. Deve-se, então, filosofar quando se é jovem e quando se é velho, no segundo caso (...) para rejuvenescer ao contato do bem, pelas lembranças dos dias passados, e no primeiro caso (...) afim de ser, ainda que jovem, tão firme quanto um velho diante do futuro.
Filosofo, filosofo como modo de existir...é tenso, complicado,mas terapêutico para as dores da vida concreta.O pensamento acolhe a tensão, acaricia a ira e embala a criança teórica.Se pensar sobre ou pensar algo me faz o que sou, penso sobre e penso algo para ser o meu melhor! Dói menos que o mundo concreto oprimindo, me oferece soluções criativas, alegrias possíveis e realizações razoáveis. Portanto: ainda prefiro filosofar!Nem jovem nem velha,apenas uma antecipação do meu final triste e demasiadamente humano de ser decadente desde que nasci.A filosofia é minha única liberdade. Nem boa nem má, esta sou eu: amo a música, os sabores,meus pais, meu filho,cada uma das minhas sobrinhas e primas,tios e tias.Amo, sim, o meu marido e os meus amigos. Amo a vida e a felicidade. Mas o amor maior que há é o que me aceita e oferece todas as melhores possibilidades: a Filosofia! Exige de mim só o meu tempo e dedicação, oferece-me o mundo inteiro!Filosofar é terapêutico,vivo melhor por acompanhá-la, sou melhor por segui-la! Amo à Filosofia e à possibilidade de pensar como arte de mim mesma!
Filosofo, filosofo como modo de existir...é tenso, complicado,mas terapêutico para as dores da vida concreta.O pensamento acolhe a tensão, acaricia a ira e embala a criança teórica.Se pensar sobre ou pensar algo me faz o que sou, penso sobre e penso algo para ser o meu melhor! Dói menos que o mundo concreto oprimindo, me oferece soluções criativas, alegrias possíveis e realizações razoáveis. Portanto: ainda prefiro filosofar!Nem jovem nem velha,apenas uma antecipação do meu final triste e demasiadamente humano de ser decadente desde que nasci.A filosofia é minha única liberdade. Nem boa nem má, esta sou eu: amo a música, os sabores,meus pais, meu filho,cada uma das minhas sobrinhas e primas,tios e tias.Amo, sim, o meu marido e os meus amigos. Amo a vida e a felicidade. Mas o amor maior que há é o que me aceita e oferece todas as melhores possibilidades: a Filosofia! Exige de mim só o meu tempo e dedicação, oferece-me o mundo inteiro!Filosofar é terapêutico,vivo melhor por acompanhá-la, sou melhor por segui-la! Amo à Filosofia e à possibilidade de pensar como arte de mim mesma!
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Uma Cartografia do Bom Caminho!Minha caminhada no Sacramento do Santo Daime!
Sou de uma geração de demarcações: "não podia antes?Agora eu posso" " Diretas...de Reitor a Presidente";" Para nunca calar,nem consentir"; " Teu grito acordaria não só a tua casa,mas a vizinhança inteira". Sou uma mulher do meu tempo: com treze anos me filiei a um partido político, lutei pelo voto aos 16 anos, militei nos movimentos sociais, conduzi minhas relações pessoais fora das convenções e neguei qualquer posasibilidade religiosa como legítima( afinal, com tantas seguranças científicas para o pensamento,porque me afixar no indecifrável: inseguro e místico?),embora a autocrítica sempre me fizesse reconhecer a limitação que meu instrumental de concepção de mundo possuia.Sabia que meu instrumental materialista dialético marxiano explicava a esfera das relações sociais e de produção na sociedade capitalista e pouco se aplicava para a observação das possibilidades particulares acima da massificação das categorias gerais dos objetos.E foram os dois estudiosos marxistas mais ferrenhos que conheci: Mauro Luís Iasi e Luís Carlos Scapi que demonstraram nos estudos desenvolvidos para as turmas de formação de monitores do NEP 13 de Maio de São Paulo as possibilidades da singularidade como prática legítima da liberdade na superação crítica da massificação de consciência.Foi com esta pista que desvendei os caminhos da minha própria necessidade de olhar para dentro, quando uma definitiva e enorme mudança física alterou minha posição no jogo do mundo.Voltar ao "mundo dos vivos" como estudante do Curso de Filosofia da UFPel foi um grande encontro comigo mesma e com a minha sensibilidade violentada pela concretude do mundo real a ponto de debilitar-me fisicamente.A disposição de ingressar respeitosamente em uma esfera cujas regras fiz questão de desconsiderar qualquer importância me fez reconhecer as possibilidades de boa síntese que me ofereciam os que negava ouvidos.Já no primeiro semestre,minha identidade mais forte era com "blocos teóricos" muito distantes das minhas referências iniciais.Uma companhia em especial me conquistou pela dedicação à tarefa de dirigir nossa formação no espaço acadêmico e pela solidariedade humana com que se disponibiliza às nossas formulações: o professor Manoel Vasconcellos. Este professor tem a árdua missão de nos colocar em contato com o período medieval da filosofia,sobre o qual trazemos muitas " verdades" descabidas e preconceitos formulados.Embora o trabalho deste educador me fosse muito caro e reconhecido, eu continuava refratária à leitura do autor que ele trabalhava naquele semestre: Santo Anselmo de Aosta. Estudávamos a obra sobre a Concordância entre a Preciência,o Livre-arbítrio e a Graça e eu não conseguia estabelecer qualquer empatia com qualquer proposta do texto.
Neste mesmo período,frequentava um espaço chamado "Mate com Poesia" na casa do Bira Cunha, onde conheci o Padrinho Eduardo Burgueño como um frequentador assíduo que partilha do seu amor pela literatura solidaria e alegremente com os que o cercam.Conhecer o Eduardo como admirador da literatura antes de vê-lo como uma liderança religiosa foi fundamental para aceitar seu convite para participar da minha primeira experiência no sacramento do Santo Daime.
Na ocasião de minha primeira miração levei para a minha meditação como pergunta principal a seguinte: " Por que, embora respeite e participe do esforço do Professor Manoel em nos apresentar a obra de Anselmo de Aosta, não consigo acessar qualquer conteúdo apresentado por este autor?- Meu Deus, deve ter algo neste autor que justifique a dedicação deste educador ao seu estudo. E como confio no critério deste mestre, quero acessar o conteúdo que me traz, mas só consigo rechaçá-lo...
Logo na segunda hora de meditação silenciosa a rsposta vem num fluxo incontrolável de pensamento apresentada num questionamento que me convocou à mudança de referencial para superar meu problema:
Anselmo era um cristão exemplar, para ele nada poderia ser mais importante e digno do que o caminho para Deus,dispondo-se ele mesmo fazer este caminho dedicada e criteriosamente.Porém,ocupou-se tão cuidsadosamente de percorrer o seu caminho no acesso do conteúdo racional que o levasse a Deus, que esqueceu-se que mais importante que o acesso racional que o faz "provar"a existência de Deus, seria oferecer o seu "sacro-ofício"singular como caminho para acesso de tantos quantos quisessem percorrê-lo. Anselmo ama tanto a Deus como objeto da sua filosofia que não fala de si.Não considera importante o seu próprio caminho e sim o resultado que obteve como conteúdo. Não estarás cometendo o mesmo erro te detendo apenas ao conteúdo?O teu próprio papel não poderá ser oferecer o "sacro-ofício" da tua experiência como "cartografia" para teus iguais?Quem sabe tentas encontrar o Anselmo singular que se oferece ao invés de julgar o conteúdo por ele apresentado.
Foi uma tomada de consciência impactante:a leitura de desvelou para mim, pude encontrar anseios humanos e legítimos na obra sugerida depois desta experiência.
A caminhada posterior na enteogenia foi no reforço desta possibilidade:viver a minha melhor experiência no sentido de provar a sua possibilidade apenas como exemplo singular, sem pretensões de generalizações inúteis,uma vez que o caminho da individuação e da religação é único e intransferível.
Os períodos posteriores a esta primeira vez no Daime foram de reforço dos vínculos e frequência regular nas reuniões de concentração e celebrações.Nos últimos 6 meses é que manter a presença física ficou cada vez mais difícil,porém,no último 30 de novembro, durante a sessão de concentração o fluxo de pensamento exigiu um registro, como que para ser lembrado, durante a própria miração escrevi a seguinte instrução, lida ao final dos trabalhos para conhecimento e orientação de todos os que se sentissem sensíveis a ela:
"O teu caminho é o das palavras e do teu filho.Cuida da tua família, realiza os teus desejos mais sinceros e tudo te será dado. Não duvida nunca da tua capacidade de amar. Sê grata e dedicada que a recompensa e a greatidão serão tuas.O mais precioso já tens no teu ventre da alma. Dá valor a este bem em vida.Depois de ti mais ninguém o terá.As tuas cores são só tuas, ninguém mais terá duas vidas para presenciá-las. Busca o saber do teu azul e registra.Te espelha nas flores;elas te darão até os meios materiais para ser-lhes aprendiz e professora. Ama,pois o amor vai te dar a pergunta e a resposta. Respeita, preserva,te aconchega na tua casa, te faz protegida. Confia, que nunca estás só.Te faz merecedora e tudo te será dado".
Neste mesmo período,frequentava um espaço chamado "Mate com Poesia" na casa do Bira Cunha, onde conheci o Padrinho Eduardo Burgueño como um frequentador assíduo que partilha do seu amor pela literatura solidaria e alegremente com os que o cercam.Conhecer o Eduardo como admirador da literatura antes de vê-lo como uma liderança religiosa foi fundamental para aceitar seu convite para participar da minha primeira experiência no sacramento do Santo Daime.
Na ocasião de minha primeira miração levei para a minha meditação como pergunta principal a seguinte: " Por que, embora respeite e participe do esforço do Professor Manoel em nos apresentar a obra de Anselmo de Aosta, não consigo acessar qualquer conteúdo apresentado por este autor?- Meu Deus, deve ter algo neste autor que justifique a dedicação deste educador ao seu estudo. E como confio no critério deste mestre, quero acessar o conteúdo que me traz, mas só consigo rechaçá-lo...
Logo na segunda hora de meditação silenciosa a rsposta vem num fluxo incontrolável de pensamento apresentada num questionamento que me convocou à mudança de referencial para superar meu problema:
Anselmo era um cristão exemplar, para ele nada poderia ser mais importante e digno do que o caminho para Deus,dispondo-se ele mesmo fazer este caminho dedicada e criteriosamente.Porém,ocupou-se tão cuidsadosamente de percorrer o seu caminho no acesso do conteúdo racional que o levasse a Deus, que esqueceu-se que mais importante que o acesso racional que o faz "provar"a existência de Deus, seria oferecer o seu "sacro-ofício"singular como caminho para acesso de tantos quantos quisessem percorrê-lo. Anselmo ama tanto a Deus como objeto da sua filosofia que não fala de si.Não considera importante o seu próprio caminho e sim o resultado que obteve como conteúdo. Não estarás cometendo o mesmo erro te detendo apenas ao conteúdo?O teu próprio papel não poderá ser oferecer o "sacro-ofício" da tua experiência como "cartografia" para teus iguais?Quem sabe tentas encontrar o Anselmo singular que se oferece ao invés de julgar o conteúdo por ele apresentado.
Foi uma tomada de consciência impactante:a leitura de desvelou para mim, pude encontrar anseios humanos e legítimos na obra sugerida depois desta experiência.
A caminhada posterior na enteogenia foi no reforço desta possibilidade:viver a minha melhor experiência no sentido de provar a sua possibilidade apenas como exemplo singular, sem pretensões de generalizações inúteis,uma vez que o caminho da individuação e da religação é único e intransferível.
Os períodos posteriores a esta primeira vez no Daime foram de reforço dos vínculos e frequência regular nas reuniões de concentração e celebrações.Nos últimos 6 meses é que manter a presença física ficou cada vez mais difícil,porém,no último 30 de novembro, durante a sessão de concentração o fluxo de pensamento exigiu um registro, como que para ser lembrado, durante a própria miração escrevi a seguinte instrução, lida ao final dos trabalhos para conhecimento e orientação de todos os que se sentissem sensíveis a ela:
"O teu caminho é o das palavras e do teu filho.Cuida da tua família, realiza os teus desejos mais sinceros e tudo te será dado. Não duvida nunca da tua capacidade de amar. Sê grata e dedicada que a recompensa e a greatidão serão tuas.O mais precioso já tens no teu ventre da alma. Dá valor a este bem em vida.Depois de ti mais ninguém o terá.As tuas cores são só tuas, ninguém mais terá duas vidas para presenciá-las. Busca o saber do teu azul e registra.Te espelha nas flores;elas te darão até os meios materiais para ser-lhes aprendiz e professora. Ama,pois o amor vai te dar a pergunta e a resposta. Respeita, preserva,te aconchega na tua casa, te faz protegida. Confia, que nunca estás só.Te faz merecedora e tudo te será dado".
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Chico Buarque para todas as situações: "Depois te afagava, moreno Como se afaga um cão"
Se Eu Fosse Teu Patrão
Eu te adivinhavaE te cobiçava
É, te arrematava em leilãoTe ferrava a boca, morena
Se eu fosse o teu patrão
Aí, eu cuidava
Como uma escrava
Aí, eu não te dava perdão
Te rasgava a roupa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava ao pé do fogão
Não te dava sopa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu encurralava
Te dominava
Te violava no chão
Te deixava rota, morena
Se eu fosse o teu patrão
Quando tu quebrava
E tu desmontava
E tu não precisava mais não
Eu comprava outra, morena
Se eu fosse o teu patrão
Pois eu te pagava direito
Soldo de cidadão
Punha uma medalha em teu peito
Se eu fosse o teu patrão
O tempo passava sereno
E sem reclamação
Tu nem reparava, moreno
Na tua maldição
E tu só pegava veneno
Beijando a minha mão
Ódio do teu irmão
Teu filho pegava gangrena
Raiva, peste e sezão
Cólera na tua morena
E tu não chiava não
Eu te dava café pequeno
E manteiga no pão
Depois te afagava, moreno
Como se afaga um cão
Eu sempre te dava esperança
D'um futuro bão
Tu me idolatrava, criança
Seu eu fosse o teu patrão
Mas se tu cuspisse no prato
Onde comeu feijão
Eu fechava o teu sindicato
Se eu fosse o teu patrão
Se eu fosse o teu patrão...
Eu te adivinhava
E te cobiçava
É, te arrematava em leilão
Te ferrava a boca, morena
Se eu fosse o teu patrão
Aí, eu cuidava
Como uma escrava
Aí, eu não te dava perdão
Te rasgava a roupa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava ao pé do fogão
Não te dava sopa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu encurralava
Te dominava
Te violava no chão
Te deixava rota, morena
Se eu fosse o teu patrão
Quando tu quebrava
E tu desmontava
E tu não precisava mais não
Eu comprava outra, morena
Se eu fosse o teu patrão
Pois eu te pagava direito
Soldo de cidadão
Punha uma medalha em teu peito
Se eu fosse o teu patrão
O tempo passava sereno
E sem reclamação
Tu nem reparava, moreno
Na tua maldição
E tu só pegava veneno
Beijando a minha mão
Ódio do teu irmão
Teu filho pegava gangrena
Raiva, peste e sezão
Cólera na tua morena
E tu não chiava não
Eu te dava café pequeno
E manteiga no pão
Depois te afagava, moreno
Como se afaga um cão
Eu sempre te dava esperança
D'um futuro bão
Tu me idolatrava, criança
Seu eu fosse o teu patrão
Mas se tu cuspisse no prato
Onde comeu feijão
Eu fechava o teu sindicato
Se eu fosse o teu patrão
Se eu fosse o teu patrão...
domingo, 15 de novembro de 2009
Conhecer a felicidade nos vincula eternamente à sua busca!Resgatando a menina de 1989!
Democracia era a palavra. Liberdade o princípio!O maior xingamento era "alienado".Era o máximo ter o título de eleitor no bolso para exibir entre os colegas. Fiz 16 em 12 de março e no mesmo dia meu título("arma incontestável contra qualquer ditadura")já estava comigo. Tinha um gostinho muito especial votar para presidente pela primeira vez . Era minha única primeira experiência que os adultos também viviam. Foi o rito de passagem:deu até uma tremedeira na hora de assinar a ata da minha mesa de votação ali no Colégio Municipal Pelotense.15 de novembro: passamos para o segundo turno. Felicidade demais! Todos juntos vamos mudar o mundo!E é tão bom acreditar nas gentes. É a potência maior do que se conhece por amor, compartilhar uma concepção de mundo e construí-lo ombro a ombro.A sensação deste amor é tão completa que uma vexz realizada, só se quer e só se procura realizá-la novamente. Paz e alegria para todos.Perdoem os que não gostam mais do cara,mas vale Caetano Veloso para descrever: "Eu sempre quis muito,falo de qualidade e intensidade.Tudo é muito pouco. Luxo para todos".Tenho dúvidas se eram os tempos ou se éramos nós,mas o fato é que existe este Brasil que participa, que respeita e realiza e nós o vimos nas ruas de 89.Buscar este país no que ele essencialmente é tornou-se o meu motivo para não desistir: o Brasil de todas as cores, de todas as etnias, da biodiversidade, da pluralidade.Mais que estrutura este lugar que quer acreditar que vale a pena. E vale!Porque se já fizemos uma vez fazemos de novo!Nos tempos da Constituinte de 88 mobilizamos e aprovamos o texto constitucional mais avançado do mundo.Conto este documento como a tese que funda o Brasil dos nossos tempos.Para alguns vai parecer pouco,mas para mim tá bastando:20 anos depois de conhecer este "Poder", tá na hora de valorizá-lo e refundá-lo em cada ação cotidiana:Nós fizemos na pressão das ruas a constituição de 88, agora é fazer valer!Para poder dizer que há democracia,que sabemos porque estamos juntos e o que é ser soberano e livre. O mínimo que se pode fazer> Ainda tem coisa melhor por vir,mas por agora já é instrumento o suficiente para começar a trabalhar!Eu acredito e me nego a desistir do amor pela vida, da alegria de abraçar estranhos reunidos na rua em segurança.Mais que guerrear,nós merecemos viver!Viver o que temos de melhor, a alegria de estarmos juntos,de não temermos mais a violência do Estado.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Sobre Pelotas e a violência com seus filhos!
Eu sei que tive o melhor de Pelotas: gente interessante e amiga, generosa.Altos papos e celebrações...Respeito ao debate,alegria de estar junto.Quando descobri a aridez espiritual do mundo fora daqui e a dureza de estar diferente em um jogo social entre jogadores sem vínculos pensei em voltar para o ninho e pretender a felicidade possível. E Pelotas se fez Mãe novamente: me acolheu nos estudos de Filosofia festejando a minha volta ao mundo dos vivos enquanto os outros lugares celebraram menos um jogador. Mas, nem tudo é perfeito, e nem só de amor vive esta cidade de gente tão instruída e interessante. Minha diferença é física,meu salário de aposentada é concretude determinante dos meus acessos e as (i) responsabilidades do estado aqui não são diferentes dos outros lugares menos significantes para mim. Os serviços de transportes são pífeos e não absorvem um vínculo como necessito para assistir aulas, os tratos são pouco ou nada profissionais, os preços não tem qualquer diferencial para o usuário constante e a infraestrutura da cidade é cruel no bairro em que posso morar a ponto de ser mais saudável e compatível com minha condição de esforços morar em outro município e frequentar a UFPel utilizando ônibus cooperativado que morar no Fragata (onde moro) e depender da instabilidade de humores das chuvas,dos medos de pessoas que exercem suas concessões de transporte como as relações familiares (sem carater profissional e sem observação das necessidades do usuário que atende)ora,é preciso lembrar que táxi é concessão pública e não bico onde a mamãe aloja o filhinho fracassado para ele ter um "bico", aliviando os gastos da família de origem, brincando de adulto incluído.Desde o início das aulas não quis solicitar regime especial de estudos por entender que o debate em aula enriquece a formação e me faz participar da vida política real da Universidade,mas estou vencida: Não há uma política de inclusão para além do regime especial que me daria o direito de exercer tarefas domiciliares que contem como frequência e avaliações. Reconheço minha incapacidade diante da Violência do não acesso pela falta de observação e abro mão do convívio com meus colegas, por não poder pagar, a não ser mensalmente,por não suportar as dores alguns dias. Abro mão e imploro: Concedam-me o regime especial,pois não suporto a inconstância dos acessos às ruas da minha cidade,decretem-me logo a prisão da invalidez absoluta que parece ser a única destinação para o pelotense que insiste em não morrer mesmo quando é o único que se espera dele. Insisto: mesmo com as impossibilidades que trago amo a vida entre meus iguais e desejo mais que qualquer coisa continuar meus estudos de filosofia, concedam-me o regime especial para que as exigências para o meu existir não sejam maiores que as minhas forças. Encaminho hoje este pedido ao meu colegiado e disponibilizo-me desde já às perícias correspondentes para esta concessão.De tudo que está ao meu alcance estou encaminhando.Porque direitos humanos respeitados incluem o direito à singularidade e à vida com todas as cicatrizes que carregamos na forma física e mental.
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